Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 9 de 9)

Hoje concluímos, aqui no Davilabs, nossa proposta para o desenvolvimento de uma arquitetura residencial ‘pós-pandemia’. Após apresentarmos algumas diretrizes básicas a serem contempladas pelos projetos, como: “Saúde & Bem-estar”, “Higiene” e “Trabalho (em casa)”, introduzimos um protótipo de apartamento por nós desenvolvido com base nestas premissas. No protótipo, definimos três espaços principais que ilustram como o acompanhamento destas orientações aconteceria na prática, a começar pelo Multihall, um espaço de articulação de chegada e saída e de higiene. O segundo ambiente sobre o qual discorremos foi a ‘Sala de Bem-estar’, um espaço que se torna o núcleo da nova residência e local onde todo mundo vai querer estar. O terceiro e último ambiente é o espaço que apresentaremos hoje, um modelo revisitado de escritório, dentro do ambiente doméstico e que denominamos como “Escridorme”.

Versatilidade e conforto no trabalho

Até alguns anos atrás, os escritórios eram um espaço quase obrigatório em residências de altíssimo padrão. Muitas vezes tinha uma função apenas cosmética e de status, mas seu posicionamento conectado à área social da residência, era uma opção inteligente. No contexto pós-pandemia, ou mesmo à parte dele, com a natural evolução do trabalho remoto, os escritórios voltam a ter grande relevância para variados estratos sociais e residências de qualquer porte. Se com a integração dos espaços domésticos os escritórios foram se dissolvendo e se mesclando com a área de estar, ou até mesmo se transformando em uma simples mesa de trabalho nos dormitórios, hoje já se percebe que, em nome da privacidade e da concentração, um ambiente exclusivo e dedicado ao trabalho é muito importante para o contexto doméstico de uma residência do século XXI.

Uma vez que a demanda por espaço para o trabalho na residência tende a ser comum aos apartamentos a partir de uma certa área, nossa aposta foi em um espaço versátil, que pudesse ser apropriado de forma customizada pelos moradores. Surge então nossa proposta do ‘Escridorme’, um espaço misto entre escritório e dormitório.

Na prática, o Escridorme é uma ‘suíte avançada’ da residência, posicionada ao lado da entrada (conveniente na eventualidade da recepção de clientes e colegas de trabalho) cujo banho é compartilhado com o Multihall, através de uma segunda porta. Desta maneira, moradores e visitantes podem utilizar este banho como lavabo opcional (adicional ao que está embutido no Multihall) ou podem tomar banho antes de adentrarem efetivamente na residência.

O Escridorme também adere ao conceito urban jungle, enquanto se conecta à varanda e faceia a Sala de Bem-estar: se o morador preferir, pode optar por eliminar uma parede e ampliar a sala, caso julgue conveniente integrar o escritório àquele ambiente. Outra vantagem do Escridorme é poder funcionar plenamente como uma suíte, com o diferencial de oferecer um acesso independente ao restante do apartamento. Esta opção é conveniente para adolescentes e jovens ou, ainda, residentes seniores que desejem privacidade e individualidade, inclusive com acesso rápido à área de serviço e cozinha.

Conclusão

É com este simpático espaço resgatado do passado e repaginado para a realidade contemporânea, que encerramos esta nossa série no Davilabs, dedicada a explorar possibilidades para a arquitetura residencial, sob a provocação do ambiente pandêmico.

Nossa intenção foi produzir um pouco de alívio neste contexto triste e conturbado, oferecendo uma visão otimista de como a criatividade pode nos fortalecer diante das adversidades e para explorar possibilidades. Em momentos como este, crescemos e aprendemos muito e, por esta razão, nosso desejo foi o de compartilhar com você um pouco daquilo que estamos elaborando para o futuro.

Em toda caminhada, o aprendizado é muito importante. As lições que aprendemos ao longo de um processo muitas vezes nos trazem frutos ainda mais prolíficos que a contemplação de seus objetivos mais imediatos. Por isso desejamos-lhe uma excelente caminhada na direção de um futuro melhor, com saúde e realizações. Conte sempre com a nossa companhia para projetar este novo futuro.

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 8 de 9)

Estar em casa: acima de tudo, um prazer.

Nesta sequência de publicações no Davilabs em que exploramos conceitos para as residências a partir do aprendizado com a pandemia, o segundo espaço que propomos experimentalmente é a ‘Sala de Bem-estar’. Se este ambiente atende pelo menos uma das premissas que apresentamos inicialmente, a da ‘Saúde e Bem-Estar’, a depender do estilo de vida dos moradores, também pode contemplar a premissa do ‘Trabalho (em casa)’.

O conceito de bem-estar já vinha sendo desenvolvido de maneira mais enfática em espaços corporativos e agora ganha força na esfera residencial. Sem deixar de lado a beleza e o impacto visual, prescinde-se aqui da ostentação em benefício do real conforto daqueles que utilizarão a sala constantemente, ou seja, os próprios moradores. Assim, a antiga Sala de Estar passa a ser denominada ‘Sala de Bem-estar’.

Voltado ao entretenimento e a uma permanência agradável aos moradores, este espaço social não depende das visitas para se justificar. Pelo contrário, é utilizado intensamente pelos moradores em seu cotidiano e é palco para as principais interações humanas e familiares. Isto inclui o lazer e o entretenimento, ou mesmo o puro ócio, além das refeições, uma vez que o ambiente se integra diretamente à sala de jantar e copa. O trabalho em casa também é possível na ‘Sala de Bem-estar’, para as pessoas que se sentem mais produtivas quando recebem estímulos simultâneos e variados e que se sentem mais confortáveis em espaços mais amplos.

A opção é por ambientes abertos, fluidos e integrados. No entanto, segundo a opção do morador e recorrendo a soluções da arquitetura de interiores, é possível definir espaços um pouco mais reservados, marcando de forma mais intensa os usos diferenciados (estar; lazer; entretenimento; socialização; alimentação; contemplação do verde; trabalho em casa; etc).

Um dos pontos essenciais para a promoção de uma permanência agradável em casa é a farta iluminação e ventilação naturais, além do recurso ao ‘verde’. Por isso, a Sala de Bem-Estar conecta-se intensamente à varanda. A partir dali, do ambiente ‘externo’, as plantas avançam para o espaço interno da residência e a ocupam. Este movimento de radicalização do verde no interior das habitações é denominado urban jungle. Seu propósito é humanizar e ‘acalmar’ os residentes, além de promover sua saúde física e mental. Uma boa pedida para alcançar este objetivo é pensar na instalação das plantas em camadas: verticais, horizontais, dentro e fora e em múltiplos planos, de maneira que a presença do verde entre os ambientes se torna mais intensa, natural e fluida.

Em nosso próximo e último texto no Davilabs sobre nossa proposta para residências ‘pós-pan’, apresentaremos de forma mais detalhada o ‘Escridorme’, um misto de escritório e dormitório. Até lá!

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 7 de 9)

Em nossa última postagem, apresentamos uma visão geral dos espaços que imaginamos dentro dos conceitos que apresentamos anteriormente no Davilabs como diretrizes para o projeto de uma residência ‘pós-pandemia’. Hoje, focaremos em um espaço de transição e organização de fluxos, que denominamos de Multihall.

 

 

Zona de Descompressão

Uma das medidas mais importantes na evolução de uma residência para este início do século XXI é o resgate do antigo vestíbulo e do toucador, em um contexto reformulado e aprimorado. Um dos papéis mais importantes deste espaço de transição, ou Multihall , é o de funcionar como uma ‘zona de descompressão’, como uma interface entre o mundo exterior e o interior da residência, incluindo aspectos simbólicos e funcionais. Na prática, a principal função deste hall, à parte da articulação dos fluxos de entrada e saída da residência é, principalmente, viabilizar os intensificados hábitos de desinfecção e higiene adquiridos ao longo da pandemia. Portas deslizantes ocultam um nicho decorativo e ora revelam uma Estação de Higiene e Desinfeção, ora dão acesso à Sala de Bem-estar.

As demais portas no Multihall o conectam a um lavabo alçado a um banheiro completo, onde, além de lavar as mãos em alternativa à pia na Estação de Higiene, moradores e visitantes podem tomar banho ao chegar em casa, se assim desejarem. O interessante deste banho posicionado logo à entrada da residência é sua versatilidade, pois além de apoiar o Multihall, ele também se conecta diretamente ao ‘Escridorme’, ou escritório / ‘home office’ que, desta forma, funciona alternativamente como uma agradável suíte, acessível via Multihall. Uma outra porta neste moderno vestíbulo permite acesso direto à Área de Serviço, onde a higiene mais pesada de objetos pode ser feita e para onde objetos que estavam antes em quarentena no hall podem ser direcionados, a fim de serem armazenados de forma ‘permanente’.

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 6 de 9)

 

UM PROTÓTIPO RESIDENCIAL PÓS-PANDEMIA

Em nossa proposta para uma evolução na arquitetura residencial pós-pandemia, estabelecemos três diretrizes principais para nortear futuros projetos. Relembrando o que já apresentamos aqui no Davilabs, estas diretrizes são: Saúde e Bem-estar; Higiene e Trabalho (em casa), sendo que nos últimos textos, exploramos um pouco mais a fundo cada uma destas premissas.

Nosso passo seguinte é ilustrar, de maneira mais prática, uma possível aplicação destas diretrizes. Para tanto, desenvolvemos um protótipo residencial – um apartamento – que inclui pelo menos três espaços compatíveis com estes conceitos. As diretrizes podem e devem se expandir para todos os cômodos da residência, mas foi por razões didáticas que nos concentramos em três ambientes, os quais denominamos ‘Multihall’, ‘Sala de Bem-estar’ e ‘Escridorme’.

Partimos de uma residência de classe média alta, com área de 130m² (incluindo a varanda) e cujo projeto original incluía três suítes. A ideia era não alterar a área interna do apartamento, que foi, portanto, mantida, a despeito de algumas alterações significativas de programa e layout. Para alcançar esta meta de não interferir na metragem do projeto original, assumimos algumas ‘ousadias’, como, por exemplo, a eliminação do quarto e banheiro de serviço, além de um deslocamento radical do posicionamento de uma das suítes na residência. Fizemos isto para provar (para nós mesmos) que a quebra de paradigmas na direção de uma inovação espacial resulta de uma visão criativa que envolve perspicácia.

Em se tratando de uma proposta conceitual, entendemos que ela possa inspirar soluções em outros segmentos, incluindo o de imóveis residenciais voltados para outros estratos de renda em nossa sociedade, ou mesmo em outras tipologias, como a comercial, institucional, etc.

TRÊS ESPAÇOS EXPERIMENTAIS

Multihall
Resgatando os antigos vestíbulos e sem necessariamente demandar uma área significativa, o Multihall foi assim batizado por suas múltiplas funções: é o espaço de chegada e saída da residência, agora ritualizado. Oferece estrutura para higiene pessoal, guarda e desinfecção básica de produtos, além de organizar o acesso independente a variados ambientes da residência: área social; área de serviço; escritório e banho (lavabo). Acima de tudo funcional, o Multihall – que integra a área privativa do apartamento – tem o importante aspecto simbólico de promover a transição entre o mundo exterior e o interior da habitação, uma zona de descompressão e segurança que, portanto, conecta dois mundos.

Sala de Bem-estar
Já foi o tempo em que a Sala de Estar era a ‘sala de visitas’. Mesmo que recentemente ganhando novas funções, relacionadas ao entretenimento, esta sala ainda mantinha uma certa arrogância, quem sabe, até ostentação. A tendência que imaginamos, no entanto, é que a sala se converta cada vez mais em um local realmente agradável de se permanecer e interagir socialmente com os demais moradores e, também com os visitantes, quando o contexto permitir. Por estas razões sugerimos uma pequena alteração na nomenclatura, rebatizando o espaço como ‘Sala de Bem-estar’. Este ambiente contemporâneo integra a cozinha às refeições cotidianas, voltando-se ao lazer e entretenimento eletrônico e à socialização. Tudo, é claro, com muito verde integrado, muita luz e ventilação.

Escridorme
Os tradicionais escritórios de outros tempos podem voltar com força total? A resposta é sim, a partir de uma releitura. O afastamento social forçado que vivenciamos levou ao deslocamento de uma significativa parte da população que trabalha em escritórios de empresas para o desenvolvimento de suas atividades em casa. Assim, espaços dedicados ao trabalho dentro da residência passaram a ter uma relevância muito maior.

Trabalhar e conviver com os demais moradores não é tarefa das mais fáceis, uma vez que as fronteiras nos espaços improvisados são muito tênues. Por isso propusemos o ‘Escridorme’. O nome alude à versatilidade e ao uso múltiplo que deve caracterizar todo espaço contemporâneo bem projetado. Então este nosso novo escritório, posicionado bem à entrada da residência, conecta-se diretamente ao Multihall, o que permite o acesso independente de visitantes comerciais e de colegas de trabalho, por exemplo. É ao mesmo tempo um espaço independente que pode ser integrado de forma física à sala, caso o morador deseje, mas que em nossa proposta, configura-se como um espaço dedicado, que oferece a devida tranquilidade e privacidade para o trabalho. Além disso, funciona também – e muito bem – como uma suíte avançada, muito adequada para adolescentes, jovens e moradores seniores. Conta, portanto, com um banho completo, que também se conecta ao Multihall, servindo de apoio na jornada de desinfecção à chegada da residência.

Em nossos próximos encontros no Davilabs, apresentaremos cada um destes novos espaços com imagens ilustrativas. Até lá!

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 5 de 9)

TRABALHANDO COM CONFORTO, ATÉ EM CASA

Chegamos à terceira premissa básica nesta sequência de publicações no Davilabs em que propomos uma estrutura conceitual para uma arquitetura residencial pós-pandemia. Hoje é a vez do “Home Office”.

Há muito o ‘work at home’ vem evoluindo, tornando-se uma opção importante não apenas para as empresas, mas também para seus colaboradores. Há atualmente uma discussão que preconiza que o trabalho físico, presencial, irá desaparecer por completo. É uma abordagem um tanto elitista com foco naqueles que trabalham em funções de escritório. Provavelmente, trata-se de uma visão exagerada e precipitada. É preciso distinguir que muitos passaram a trabalhar remotamente de casa por opção, enquanto outros o fizeram por pura pressão, ou necessidade. O futuro deverá nos trazer um meio termo: o trabalho físico presencial prosseguirá de alguma forma e o trabalho remoto também se desenvolverá bastante.

No que diz respeito à arquitetura residencial, é importante que ela esteja preparada para este tipo de demanda de trabalho em casa. Por esta razão, o projeto deve definir uma estrutura que viabilize o trabalho em casa, focando na produtividade, bem-estar e no profissionalismo do morador durante suas atividades.

Esta nossa diretriz para o “Trabalho em Casa” foca notadamente no espaço do ‘home office’, seja ele um espaço exclusivo para a atividade e separado do resto da residência, seja um espaço aberto e integrado para os demais ambientes. As ações que seguem esta diretriz no âmbito do projeto são:
– Definir um ou mais espaços específicos para o trabalho na residência, se possível independentes fisicamente dos demais setores da residência (como um escritório), porém com a facilidade de conexão ou separação, quando necessário;
– Garantir que o espaço para o trabalho possa oferecer a privacidade e concentração necessárias ao desempenho de atividades profissionais;
– Dotar o espaço de trabalho com os recursos indispensáveis para um bom desempenho: ventilação (de preferência natural); climatização (se indispensável);
– Iluminação (natural, preferencialmente, mas também artificial adequada ao trabalho noturno); mobiliário adequado; recursos de comunicação (rede; wi-fi de qualidade);
– Definir um espaço de trabalho flexível, que possa absorver usos diversos em horários diferentes (ex: escritório x dormitório x espaço de leitura e lazer);
– Posicionar o espaço de trabalho próximo ou diretamente conectado à entrada da residência, permitindo acesso independente (inclusive a visitantes profissionais).

Tendo apresentado esta terceira diretriz, encerramos esta seção de nossa proposta de arquitetura residencial pós-pandemia. Em nossas próximas publicações aqui no Davilabs, apresentaremos três espaços principais que imaginamos que poderão fazer parte das novas residências, a partir de um protótipo por nós desenvolvido. Até nosso próximo encontro!

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 4 de 9)

SEGURANÇA BIOLÓGICA PARA A FAMÍLIA

Na sequência de textos em que abordamos uma possível arquitetura residencial pós-pandemia, aqui no Davilabs, hoje apresentaremos a segunda das três premissas básicas que propomos: “Higiene”.

Não é ousadia dizer que os hábitos de higiene evoluem em ‘arrancos’. O mesmo acontece em relação à incorporação destes hábitos ao espaço doméstico através de ambientes e equipamentos que favoreçam a higiene. Epidemias e pandemias como a denominada Gripe Espanhola e, é claro, a pandemia atual, relacionada à Covid-19 nos forçam – ou convidam – a repensarmos a maneira como encaramos nossa higiene pessoal e de nossas residências.

Essencialmente, esta diretriz que versa sobre ‘Higiene’ visa estabelecer, através do projeto arquitetônico, recursos para que os moradores e visitantes possam realizar uma higiene pessoal adequada antes de acessarem a área íntima da residência, além da assepsia de objetos trazidos da rua.

Em termos práticos, as ações de projeto que a premissa ‘Higiene’ sugere são:
– Criar uma área de interface entre o mundo exterior e o interior da residência;
– Prover a área de interface com acessibilidade direta e independente à área social e à área de serviços da residência e, se possível, conectá-la diretamente a um espaço de atendimento a eventuais visitantes não íntimos, como um escritório;
– Dotar a área de interface com recursos para armazenagem de produtos trazidos da rua e de itens pessoais utilizados fora da residência, como casacos, sapatos e bolsas, que ali devem permanecer;
– Estabelecer na área de interface estrutura para higienização completa de mãos (lavagem; álcool; etc.) e, se possível, de todo o corpo (como um banho). Uma referência aproximada seria evoluir antigos conceitos como vestíbulo e toucador;
– Definir local adequado para a higienização das mãos antes das refeições.

Em nossa próxima publicação, apresentaremos a terceira e última premissa básica que imaginamos para a arquitetura residencial no ‘pós-pan’, que é o “Home  Office” e, na seguinte, iniciaremos a apresentação do protótipo de apartamento que desenvolvemos com base em todas estas premissas. Encontre-nos aqui, no Davilabs. Até lá!

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 3 de 9)

UMA VIDA COM MAIS QUALIDADE


Dando continuidade às nossas postagens aqui no Davilabs sobre uma possível arquitetura residencial pós-pandemia, enfocaremos hoje a primeira das três premissas básicas de nossa proposta: “Saúde e Bem-estar”.

Saúde e bem-estar seriam ‘a mesma coisa’? Podemos afirmar que sim, são concepções interrelacionadas, no entanto, os termos têm abrangências diferentes. O conceito de ‘saúde’ foca principalmente na relação entre o organismo e seu ambiente. Assim, a definição de ‘saudável’ envolve as condições que colocam este corpo em equilíbrio com seu ambiente, no sentido de sua viabilidade biológica. Por sua vez, ‘bem-estar’ tem a ver com a sensação e percepção sobre como nosso corpo e mente (e espírito) se sentem confortáveis, seguros e tranquilos, na proporção do atendimento de suas exigências, quiçá plenamente.

Eventualmente todos nos preocupamos não apenas com a nossa própria saúde e bem-estar, mas também com a de nossos amigos e visitantes e, é claro, de nossos familiares e entes queridos. Estas preocupações não são exclusivas ao contexto da pandemia. São vários os agentes que podem afetar nosso corpo e nossa mente negativamente, incluindo um ambiente residencial inadequado.

É neste sentido que esta diretriz demanda a definição de espaços que preservem e promovam a saúde e bem-estar, atendendo às dimensões mentais, espirituais, psicológicas e sociais dos moradores. Em outras palavras, o bem-estar está associado à saúde e vice-versa, no sentido em que são base para a estabilidade e crescimento do indivíduo humano e sua coletividade, em todas suas dimensões.

Traduzindo esta diretriz em atitudes práticas de projeto, entendemos que os novos desenhos de arquitetura residencial devem:
– Aproveitar melhor a gratuidade da natureza;
– Recorrer à luz natural ou mesmo à incidência solar direta, em contextos controlados;
– Valorizar Solários, Varandas, Terraços, Pátios, Quintais e Jardins;
– Privilegiar a ventilação natural, se possível cruzada (aberturas em lados opostos);
– Incrementar a presença do verde no entorno e dentro da residência: urban jungle;
– Valorizar espaços de socialização entre os residentes e membros da família;
– Dedicar espaços para o lazer e entretenimento;
– Definir espaços propícios ao descanso e meditação.

Para alcançarmos uma arquitetura residencial que favoreça a saúde e bem-estar das pessoas, é interessante que, se não todas, pelo menos algumas destas orientações sejam atendidas.

Em nossa próxima publicação, apresentaremos a segunda diretriz, dentre as que elegemos para os modelos residenciais pós-pandemia: a “Higiene”. Até lá!

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 2 de 9)

Em nosso último post, apresentamos de uma forma geral a nossa proposta para uma arquitetura residencial pós-pandemia, a partir do aprendizado que temos adquirido com o afastamento social.

Conforme prometemos, no post de hoje apresentaremos as premissas principais que, entendemos, poderão nos guiar para a evolução da arquitetura a partir deste momento desafiador. Estas premissas que, em termos gerais envolvem a segurança e o conforto dos moradores, são:

1. SAÚDE & BEM-ESTAR
– É importante favorecer a saúde e o bem-estar dos moradores e eventuais visitantes. Estar em casa deve ser antes de tudo um prazer.

2. HIGIENE
– Os novos hábitos de higiene e limpeza que aprendemos trazem benefícios que podem ser aproveitados indefinidamente, caso se consolidem e sejam incorporados à arquitetura;

3. TRABALHO (EM CASA)
– Se trabalhar em casa já era uma tendência para alguns, agora o ‘work at home’ ou trabalho remoto tornou-se muito mais popular, de forma que o espaço voltado ao home office ganha em importância e relevância.

Para ilustrar como estes tópicos podem influenciar nossos projetos residenciais, aplicamos estes conceitos no protótipo de um apartamento, o qual apresentaremos em nossas próximas postagens. Por enquanto, é bom adiantar que neste exercício buscamos simular na prática o que formulamos na teoria. Por isso partimos do projeto de um imóvel real e o reformulamos para o novo contexto, porém mantendo a área básica. Isto demonstra que é possível agregar novos espaços e usos à arquitetura, sem necessariamente aumentar os custos construtivos, desde que nos dediquemos à busca de soluções inovadoras.

Em nossa próxima publicação no Davilabs, apresentaremos em mais detalhes a primeira das três premissas: “Saúde e Bem-estar”. Esperamos você lá!

Uma arquitetura residencial pós-pan (parte 1 de 9)

É com grande prazer que iniciamos as postagens de conteúdo em nosso site. O tema que elegemos não poderia ser mais atual: a pandemia que ora enfrentamos. A despeito de todos os efeitos profundamente negativos que dela decorrem e os quais todos conhecemos, nosso propósito nesta série de publicações é focar no aprendizado positivo que podemos depreender de um contexto desafiador. Este material já foi divulgado em nossas redes sociais há alguns meses, mas aproveitamos a inauguração deste espaço, que batizamos de ‘Davilabs’, ou Laboratórios Dávila, para apresentá-lo com mais detalhes.

Do alto de seus 32 anos de experiência, assim como o segmento da arquitetura, urbanismo e construção civil como um todo, a Dávila tem muito a contribuir para o mundo impactado no qual viveremos daqui em diante. É neste sentido que apresentamos nossa contribuição com uma voz positiva e contributiva. Procuramos entender de que maneira a provocação de uma onda adversa como a trazida pelo SARS-COV-2 pode estimular nossa criatividade na arquitetura.

Nas próximas semanas, portanto, publicaremos em capítulos a nossa visão sobre como uma residência pode ser redesenhada em um contexto pós-pandemia. Escolhemos como tipologia um apartamento residencial de classe média, capaz de abrigar vários destes conceitos que desenvolvemos. Primeiramente, apresentaremos diretrizes e, em seguida, na forma de um modelo experimental, compartilharemos as soluções que desenvolvemos sob a ótica destas diretrizes.

OLHANDO PARA O FUTURO

A pandemia da COVID-19 nos trouxe desafios de natureza diversa. Confinados a nossos ambientes familiares por um período muito maior que o imaginado ou desejado, intensificamos o convívio com nossos familiares e companheiros de morada. Ficando em casa, graças ao distanciamento social, passamos a prestar uma maior atenção em nossas próprias residências e na qualidade de vida que podem nos oferecer em períodos prolongados de permanência.

Esta visão crítica sobre como nossas casas funcionam ou não para este novo contexto nos provocou a pensar. Como seria uma residência idealmente adaptada ao contexto da pandemia? Como os espaços residenciais deveriam ser rearticulados de maneira a viabilizar nossos novos hábitos, especialmente os de higiene e limpeza? Como nosso refúgio doméstico pode ser um ambiente mais agradável no dia a dia, permitindo o convívio familiar e, muito importante nestes dias, o trabalho remoto?

Com a presente iniciativa, buscamos explorar as questões que envolvem os novos projetos residenciais na forma de diretrizes gerais. Na ordem prática, incluímos um protótipo residencial com espaços idealizados compatíveis com estas diretrizes.

Sem dúvida, outras diretrizes e outras soluções são possíveis a partir de uma abordagem evolutiva pós-pandemia. Para efeito deste documento, no entanto, fizemos o recorte ao qual você agora tem acesso.

É certo que algumas de nossas propostas podem ser encaradas como um exercício de futurologia, o que poderia se configurar um tanto prematuro enquanto olhamos ‘de dentro’ da pandemia. Temos a consciência de que uma percepção do que ocorreu nos primeiros meses – ou ano – da pandemia não seria o suficiente para prever o futuro da arquitetura, nem mesmo dos hábitos das pessoas, quanto mais seus comportamentos, sonhos e desejos.

Por outro lado, na condição de criadores, encontramos grande prazer em imaginar coisas e compartilhá-las com as pessoas. Considere, pois, estas ideias que lhe apresentamos, como um exercício de possibilidades. Acreditamos que as soluções que oferecemos não se resumem ao contexto pandêmico, mas consolidam tendências que antes eram incipientes e que vão se tornando mais relevantes enquanto focamos em nossa saúde e bem-estar, higiene e trabalho em casa.

Em nosso próximo encontro aqui no Davilabs, iniciaremos com a apresentação das “Três Premissas Básicas” para uma Arquitetura Residencial Pós-pandemia. Até lá!