O programa inicial do Brasil XXI era muito extenso. Quatro hotéis e duas torres comerciais, além de um Centro de Convenções. Mais recentemente, uma das torres hoteleiras foi substituída por um edifício comercial e de lazer. No final, o projeto se fechou com o equilíbrio de forças, pelo menos no que diz respeito à tipologia: 3 torres hoteleiras e 3 comerciais.
O principal desafio contemplado, à parte da extensão do programa, foi a criação de um empreendimento que, ao mesmo tempo que transmitisse o conceito de conjunto, de obra íntegra, também pudesse ser desenvolvido em etapas – tanto no projeto como na construção.
Para a consecução da implantação final, foram estudadas várias alternativas. Isto porque, com um programa extenso e complexo como este, ficou evidente que a implantação era um ponto nevrálgico do empreendimento.
Assim, em consonância com os estudos volumétricos, o estudo de implantação partiu do princípio de que, qual fosse a alternativa escolhida, deveria oferecer um espaço único para Brasília, modulável, que dialogasse com o entorno e com a paisagem. (veja croquis). Foram estudadas várias alternativas:
- Uma grande massa única, ocupando o centro do terreno? (A)
- Uma massa periférica contornando um volume central e criando um pátio? (B)
- Duas massas no sentido perpendicular ou paralelo ao Eixo Monumental, permitindo o fluxo de visadas e eventualmente, pedestres? (C e D)
- Vários blocos (massas) implantados de forma a somar os fluxos e massas volumétricas previstos nas alternativas C e D, mais uma praça interna, aberta e sem o caráter de pátio? (E)
A última alternativa, “E”, foi a escolhida. Os blocos foram distribuídos no terreno trapezoidal acompanhando seu limite externo, com as torres de tipologia comercial formando um “v” e as de hotelaria, outro “v”, que, superpostos, conformavam uma praça central. Isto gerou uma proximidade relativamente maior dos blocos a Oeste (topo do terreno, visto de quem desce o Eixo Monumental), e um maior distanciamento dos blocos a Leste. Esta decisão, de imediato, já desenhou o caráter monumental da praça interna, que no entanto, não é deixada totalmente aberta: é protegida por um lado pela torre hoteleira “D” e por outro pela torre comercial “A”.
A torre “A”, portanto, no limite leste e vizinho ao restante do Setor Hoteleiro, é a que inaugura o empreendimento para o ambiente mais urbano, sob o ponto de vista de pedestres, já que os outros limites do terreno são cercados por vias de intenso tráfego e áreas verdes sem potencial de fluxo de pessoas a pé.
Esta torre “A”, mais baixa, entretanto, convida a exploração do espaço coletivo interior e aberto do Brasil XXI: a praça interna, acessada pelas suas laterais arrematadas por uma loggia. As torres “B” e “F”, hoteleiras, fazem as vezes de “torreões” que em escala monumental pontuam os limites orientais do empreendimento, também oferecendo suas loggias que conduzem o visitante ao “útero” do complexo.
O convite principal do Brasil XXI é para experimentar um espaço urbano único em Brasília: a praça interna, em torno da qual se articulam praticamente todos os equipamentos. Apenas o Centro de Convenções tem um relacionamento mais nitidamente independente com uma via local a oeste. Todas as outras torres, ainda que possam ser acessadas de maneira independente, mantêm um respeito articulado com a praça interna.
É assim que as loggias – que não são novidade em Brasília – conduzem a todos para a novidade de uma praça que embora monumental, não remete à escala gigantesca das tradicionais praças de Brasília. Ao contrário, remete mais ao largo de uma cidade barroca, a partir do qual se obtém várias visadas particulares do empreendimento, como um cenário de múltiplas possibilidades.
Foi desta maneira que foi criado o coração do Brasil XXI. Uma praça acolhedora mas fluída, oferecendo uma curva gentil que alimenta o núcleo do empreendimento e depois devolve o visitante/usuário ao ambiente urbano. Isto, depois de oferecer seus ângulos, suas diagonais e a riqueza da volumetria. Ao mesmo tempo em que provoca pelas diferentes visadas e pela diversidade volumétrica, conforta pela simetria “religiosa”, moldando um ambiente de instigação.
É, pois a volumetria que complementa o conceito do complexo: atendendo às demandas de fluidez visual e fluidez no fluxo de pedestres, as torres, que são totalmente independentes em seu funcionamento, se relacionam com seus pares através de ligações virtuais, mais “pesadas” no embasamento, e descontinuadas nos pavimentos mais elevados. Assim, as torres são visualmente conectadas na base e se “soltam”, tornando-se mais delgadas, nos pavimentos superiores. Este recurso também permite um generoso arejamento do espaço mais interno do complexo concretizando a idéia da fluidez dos estudos C e D, que superpostos, multiplicam os movimentos e as possibilidades de percurso. Estes movimentos, finalmente, são reproduzidos nas fachadas: os volumes não se contêm em suas projeções, mas seus panos se movimentam, interseccionam, avançam, recuam, mudam sua vedação contrapondo retículas a rasgos, panos cegos a panos totalmente envidraçados. |